quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O caso do Jornal da Madeira

Está na moda ser contra o Jornal da Madeira. "Os tipos não prestam, aquilo é uma vergonha, quatro milhões por ano que o Governo Regional gasta ali, que aquela gente não trabalha", etc etc etc. São tudo frases que os madeirenses, de uma ou outra orientação política se habituaram a afirmar/ouvir.

Devo admitir que salvo algumas excepções, tenho mais ou menos a mesma opinião, até porque acabei por ser despedido neste guerra entre o DN e o Governo Regional que só dói a quem ganha o seu pão e não aos grupos económicos. Porém, não resumo o meu despedimento a essa guerra – muito há por explicar (mas esses são contos de outros rosários).

Outro assunto que também faz parte obrigatória das conversas de café é a recusa de alguns presidentes de Câmara em receber o JM, agindo, como se vê, da mesma forma que Jardim em relação ao DIÁRIO nas instituições governamentais. Porém, uma postura é criticada, a outra aplaudida. Um governante é criticado os outros aplaudidos. Não vejo coerência.

O que seria pertinente, necessário e urgente fazer seria uma mudança de paradigma no Jornal da Madeira que, na lógica em que se encontra envolvido, só oferece, de forma gratuita (uma palavra ali bem conhecida) mérito ao DN.

Só que a opinião pública regional está viciada. É contra o financiamento do JM mas permite a existência de canais como a RTP e rádios como a RDP que nas suas plataformas on-line fazem concorrência directa (publicidade) aos canais privados de televisão, jogando com outras armas e debaixo da bandeira do serviço público….

Quando os governantes regionais se consciencializarem do mercado da impressa regional, irão perceber que o JM irá ficar a ganhar quando mudar de paradigma. Os tempos são outros. Como? Fácil:
1- Reduz o espaço diário a certas opiniões e abre espaço para as opiniões da oposição.
2- Insistir, em todas as notícias, no direito ao contraditório, seja ele que notícia fôr.
3- Mudar a orientação editorial, noticiando a oposição.
4- Deixar de parte uma certa tendência exclusiva pelo partido que suporta o Governo e a Assembleia regional. Ainda que isso origine algumas dores.

Só desta forma é que o JM começará a ser visto pelos madeirenses como imprensa credível. Sobretudo porque só assim acredito que será possível tocar no âmago do DIÁRIO de Notícias, equilibrando o jogo de forças, invertendo a opinião pública, aumentando a qualidade, as receitas e diminuindo a independência editorial.

Caso contrário, o JM não será um projecto viável, credível, isento, como se pretende.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Perspectivas no jogo democrático!

Ao longo dos últimos dias, tenho assistido a um crescente interesse por este novo blog. Os textos têm começado a surgir, escorados na liberdade opinativa de cada um dos contribuidores.

Este blog quando foi pensado, maturado e criado, foi com um objectivo claro, o de ser um "espaço de crítica, debate, análise e apresentação de ideias e soluções, porque Santa Cruz é o nosso Concelho", como escreveu o colega Nuno Abreu no primeiro post.

É óbvio e natural, e até compreensivel, que o surgimento deste blog tenha uma identidade e uma postura que acabe sendo conotada com o PSD. Não o nego, nem tenho porque o fazer. Não sou, nem os meus colegas de blog, praticante do "enguiismo", nem sofremos de "espinha torta" e muito menos somos adeptos do carneirismo ou do "agradar para satisfazer". Aqui, qualquer um dos contribuidores é livre de escrever o que quiser, não há censura, não haverá um só discurso, embelezado com uma ou outra flôr, dependendo da plateia ou dos leitores....

A critica é livre, o debate é saudável e a apresentação de ideias é ainda melhor, sim porque de dizer mal, espezinhar e criticar estamos bem servidos na nossa praça.

Hoje, um amigo meu dizia-me que este blog deveria ter surgido à 2 ou 3 anos atrás e que o mesmo surgindo agora parecia ser de um grupo, que não se sente bem com a mudança que aconteceu no nosso concelho, e que está inclusivamente desconfortável com a situação. Percebo a ideia mas a mesma morre à nascença,ou seja, os que aqui agora escrevem sentem-se perfeitamente confortáveis com a mudança, isto porque somos todos democratas e reconhecemos a derrota como sendo algo de perfeitamente natural no jogo democrático. E se este espaço surge, é por uma razão simples, antes das eleições estas pessoas exponham as suas opiniões e ideias nos locais próprios no exercicio das suas funções autárquicas, quer fosse de forma directa ou indirecta. E reconhecemos que o direito à participação no dia a dia da nossa terra é algo de fundamental.

Como já escrevi no meu outro post (  http://www.novemilecem.blogspot.pt/2013/10/os-ciclos-hoje-22-de-outubro-terminou.html ) "Novos projectos, novas ideias começaram a ser aplicadas no Municipio de Santa Cruz e suas respectivas freguesias. Não contem comigo para uma oposição por oposição, da critica fácil, do bota abaixo sem piedade só porque o PSD é oposição. Num outro artigo publicado dizia que nestas coisas deve ser visto como "os melões, só depois de abertos é que se sabem se são bons ou não". Deixemos que as equipas começem os seus mandatos, que ponham em prática as suas propostas e ideias, e que sejamos capazes de fazer uma análise coerente e objectiva e não análises gratuitas e sem nexo, numa critica fácil. Não nos podemos esquecer que é do Municipio e dos seus municipes que estamos a falar e o que realmente nos interessa."

Vou aguardar serenamente o trabalho desenvolvido por este novo projecto autárquico, que agora começou no município de Santa Cruz. Não me vão ver atacar, de forma rasca, leviana ou mesmo gratuita, o Movimento Juntos pelo Povo, e isto por uma razão muito simples, entendo que há muito trabalho a fazer no meu partido, há que se reinventar, expiar os nossos problemas, fazer alguns perceberem que existem muitas "ervas daninhas" disfarçadas de "relva verdejante".

Arrumar a nossa casa deve ser a nossa tarefa prioritária. Depois sim, debater as questões fundamentais do município, e olhem que tenho algumas reservas e dúvidas quanto a algumas das propostas apresentadas pelo JPP. Mas, só com o tempo poderemos falar delas, não agora, à pressa, só porque sim.

A todos os nossos leitores, o meu Obrigado! Sintam-se à vontade para falarem comigo e com os meus colegas de blog. A nossa missão é e será sempre Santa Cruz e não pessoas ou projectos em concreto. Quem não o quiser perceber nunca conseguirá estar no jogo democrático.

Mais custos para o povo

O Tribunal Central Administrativo do Sul recusou a providência cautelar interposta pelo movimento Juntos pelo Povo que agora lidera a Câmara de Santa Cruz sobre o IMI. A decisão do JPP, obviamente eleitoralista, resultou na devolução de parte do IMI aos munícipes que ficaram encantados com aquele acto. Na altura, foi dito que a decisão do tribunal não era final, nem o é actualmente. 

Recorde-se que na origem da polémica está uma acta em que a oposição, que era maioria na autarquia (3 JPP e 1 PS), deixou passar a aprovação do PAEL que obrigava ao aumento das taxas sob a tutela da Câmara.

Porém, o problema não se fica por aqui, já que as famílias de Santa Cruz começaram a receber hoje a indicação de pagamento da segunda prestação do IMI, já com o aumento da avaliação geral que está a ser feita em todo o país na sequência do memorando da troika com o Governo Central. Mais um custo. Menos dinheiro no bolso.

Tudo isto foi bem explicado pelo PSD à população que caiu na esparrela do JPP de que o IMI não ia aumentar. Vi centenas de cartazes que diziam: Impedimos o aumento do IMI. Agora justifiquem-se. Em todo o caso, sugiro à população que, pelo menos no segundo caso, apresente recurso no serviço de finanças. Em muitos casos, o valor total a pagar relativo à avaliação geral tem descido.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Uma oposição encandeada

No domingo, li no DIÁRIO, um artigo de opinião de um jovem socialista que evidencia a fase actual de delírio colectivo da oposição da Região. Nesse artigo, o jovem "falava de uma doutrina obsoleta na Região com a alternância governativa ocorrida em sete dos onze concelhos da Região". 

Primeiro. 
Aceito, mas não entendo o estado de graça em que se encontra a oposição da Região. É mais do que óbvio, e este argumento já foi repetido vezes sem conta pelo povo madeirense, que esta foi uma derrota não por mérito pela oposição mas contra o fenómeno jardinista. Contra a liderança musculada da mesma pessoa nos últimos 37 anos, contra um estilo de liderança que já foi eficiente mas agora está ultrapassado.

Segundo.
Parece tão óbvio, que até se estranha, que a oposição ainda não tenha percebido que, concordando que as últimas autárquicas representem de facto o fim do regime jardinista, não representem o fim do PSD.

Terceiro.
A oposição ainda não percebeu que, apesar da evidente vitória que obteve a 29 de Setembro passado foi, efectivamente, derrotada nos últimos 37 anos, já que esta vitória deita por terra o argumento das chapeladas, de que os mortos votavam, de que o transporte de eleitores influenciava a contagem dos votos, etc etc.

Quarto.
Os argumentos da moda, de que agora existirá uma política de proximidade demonstram a falta de lucidez destes já que esquecem quem o conseguiu, a bem ou a mal, fazê-lo nas últimas décadas.

Quinto.
Talvez a oposição, agora poder em muito lado, deva realmente pensar se venceu as eleições, ou foi o PSD que as perdeu.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Os ciclos!

Hoje, 22 de Outubro terminou um ciclo na Freguesia de Santa Cruz. Durante os últimos 12 anos, o Partido Social Democrata liderou os destinos da Freguesia. Durante este periodo, tive a honra de merecer a confiança do meu Partido para ser Presidente da Assembleia de Freguesia de Santa Cruz.

Ao longo destes 3 mandatos, passaram pela assembleia de freguesia pessoas de grande valor e mérito, que emprestaram os seus conhecimentos e propostas à causa pública, aos interesses da sua freguesia. Vários foram os pensamentos, várias foram as propostas, algumas de mérito, mas sempre pensando no bem de Santa Cruz. Nestes dias, tive oportunidade de dizer que ao longo destes 3 mandatos nunca tive necessidade de aplicar o regimento da Assembleia para impôr, regularizar, ou impedir o que quer que fosse. Os deputados tiveram a plena e absoluta liberdade para expressarem os seus pensamentos e ideias.

Da mesma forma, os executivos, quer seja o liderado pelo Emanuel Gouveia, quer seja o do Arlindo Aguiar Gouveia (2 mandatos), foram sempre inexcediveis no prossecução das propostas aprovadas em sede de assembleia.

Hoje, despi as minhas vestes de autarca, e tal como disse no inicio, terminei um ciclo. Terminá-lo-ia na mesma uma vez que não era candidato a nada nestas eleições. Por esta ou por aquela razão, não fui candidato....

Santa Cruz inicia hoje um novo ciclo, a população escolheu um novo projecto, novas ideias, diferentes pessoas para levarem Santa Cruz por diante.

Era, sou e sempre serei PSD, mas tenho consciência que temos de melhorar muito, temos de corrigir algumas coisas, perceber o que correu mal nestas últimas eleições autárquicas. Temos de ter o discernimento de conseguir fazer a nossa auto-critica. O PSD não morreu, o PSD tem e sempre terá um capital humano fantástico, pronto a avançar na melhoria do próprio partido, não em momento algum, ser a coutada ou irmandade de meia dúzia.

Novos projectos, novas ideias começaram a ser aplicadas no Municipio de Santa Cruz e suas respectivas freguesias. Não contem comigo para uma oposição por oposição, da critica fácil, do bota abaixo sem piedade só porque o PSD é oposição. Num outro artigo publicado dizia que nestas coisas deve ser visto como "os melões, só depois de abertos é que se sabem se são bons ou não". Deixemos que as equipas começem os seus mandatos, que ponham em prática as suas propostas e ideias, e que sejamos capazes de fazer uma análise coerente e objectiva e não análises gratuitas e sem nexo, numa critica fácil. Não nos podemos esquecer que é do Municipio e dos seus municipes que estamos a falar e o que realmente nos interessa.

Digo, sem qualquer pejo, que para muitos a derrota é uma excelente lição de vida. Só pode estar na vida em sociedade, e em qualquer instituição quem aceita a derrota como algo natural em democracia. A derrota deve ser vista como um novo inicio e nunca como um fim em si, a diferença é que neste novo inicio alguns devem perceber que não acrescentam nada nos lugares onde estão e devem ter o discernimento de o perceber e porem os seus lugares à disposição. Ser humilde e reconhecer as suas fraquezas é algo de alguém com a cabeça no lugar, mas percebo que para alguns fazê-lo seja algo de muito complicado.

Um novo ciclo se inicia, precisamos de todos, mas precisamos sobretudo que as peças certas estejam nos lugares certos. Se começarmos por aqui, vamos seguramente pelo bom caminho e o nosso caminho é e será sempre a defesa dos interesses de Santa Cruz e dos Santacruzenses.

A todos aqueles, não olhando a partidos, que comigo serviram a freguesia de Santa Cruz nos últimos 12 anos, quer seja nos executivos quer seja na assembleia de freguesia,  e aqui não posso deixar de incluir as funcionárias Ana e Sandra e o colaborador Manuel, o meu público reconhecimento e MUITO OBRIGADO.

Marcha atrás acelerada em alguns compromissos

Assisti, ontem, ao discurso do novo presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, Filipe Sousa, eleito no passado dia 29 de Setembro pelo Movimento Juntos pelo Povo. 
Relevo, antes de dar a minha opinião, a grande aceitação popular que o novo autarca conta neste momento, muitos aplausos, muita gente, muitos sorrisos e um óptimo ambiente democrático.

Porém, registei várias frases que para mim foram verdadeiras surpresas. Desde logo esta: “Até posso ser um dos responsáveis pela dívida da Câmara, e se for vou assumi-lo, mas o mais importante é perceber quem tem responsabilidades com a dívida”. Bem, para quem passou quatro meses a dizer que o Jorge Baptista era o responsável pela dívida, há aqui uma grande mudança de discurso.

Mais à frente, já sem casaco, e no seu estilo de grande comunicador, Filipe Sousa garantiu que irá deslocar-se sempre entre a Câmara e a sua casa com o seu carro ou de autocarro, mas agora já vai admitindo que deverá ter um condutor, “ou um vereador, ou um funcionário da Câmara” que o irão levar onde precisará de ir. Na entrevista da RTP-Madeira queria reduzir a despesa da Câmara despedindo o condutor do presidente…

Gostei também de ouvir que o IMI e as restantes taxas da Câmara irão de se manter no nível mais baixo, depois de ter estado na RTP-Madeira, um dia depois de ser eleito, a dizer o contrário. Mais. Por culpa do PAEL, a autarquia está obrigada a aumentar as taxas sob a sua competência.

Depois de ter dito que não ia buscar ninguém para a sua equipa de fora da Câmara e não o estar a cumprir, começa a dar o dito pelo não dito muitas vezes. Vamos andar por aqui a assistir às contrariedades.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Nove mil e cem, o blog do Concelho de Santa Cruz

Aqui pode sempre contar com o nosso olhar atento à realidade do Concelho.

Espaço de crítica, debate, análise e apresentação de ideias e soluções, porque Santa Cruz é o nosso Concelho.